O título parece aquele cliché da época, mas sem dúvidas este foi o melhor ano de sempre. Não foi só o melhor ano desportivo mas definitivamente o melhor ano dos 36 que já levo.

2019 trouxe muitas coisas boas, uma delas foi o meu desempenho desportivo. No final de 2018, cumpri o objetivo de entrar numa equipa para competir oficialmente, pensando em equipa e, ao mesmo tempo, nos meus objectivos individuais. A.D. Galomar foi o ponto de partida desta aventura.

O primeiro semestre

Janeiro de 2019 trouxe a terceira prova da época, a minha segunda com a camisola dos “galos”. Esta segunda vez trouxe o meu primeiro pódio individual (3.º Lugar no Escalão de Veteranos 35), conseguido numa das provas que mais gosto, o Trail da Boaventura. Esse momento fica especialmente marcado, já que nunca tinha subido a um pódio individualmente, algo que me deixou contente e que demonstrou que todo o esforço e dedicação valem a pena.

Este ano tinha decido fazer provas curtas. Eu, que vinha de ultras, não estava habituado ao ritmo, mas queria tentar fazer o circuito e dar o meu melhor, saindo da zona de conforto e competindo com atletas bastante rápidos e com muito mais pedal do que eu. O desafio que tinha pela frente era grande, mas o objectivo era dar tudo e andar sempre com a “faca nos dentes” e o “coração na boca”.

Os meus treinos foram modificados em relação ao ano anterior. Como era lógico, eu precisava de estar preparado para dar muito em pouco espaço de tempo. Essa mudança foi boa e trouxe bons resultados na fase inicial. Andar no grupo dos 30 primeiros não é fácil. A competição é forte, e para alguém como eu que não tem um historial de atletismo ou desporto federado (tirando o Andebol, no qual joguei três épocas na adolescência) era um desafio enorme.

Depois de fazer as primeiras provas da época em bom estado, em Março apanhei uma gripe que me deixou K.O. na prova do Porto Santo. Ir ver concertos dá nisto. A ida ao Porto Santo não correu como queria, já que vinha a recuperar da gripe que apanhei em Lisboa, depois de ter visto um daqueles concertos que vão ficar na memória – Massive Attack em concerto especial de celebração dos 20 anos do álbum Mezzanine. O resultado não foi dos melhores, mas o concerto foi do caraças!

Grande concerto dos Massive Attack no Campo Pequeno! Custou uma gripe, mas valeu a pena !

Vi ao vivo uma das minhas bandas favoritas, num concerto onde tocaram um álbum que me trazia boas lembranças.

Trail Porto Santo

Depois deste desaire na ilha Dourada, regressei mais forte para o Trail do Ludens e para O Trail Coração da Natureza no Porto da Cruz. Antes disso, tive o desaire do MIUT e o primeiro e custoso DNF do ano. Depois de ter sido finisher em 2017 e 2018, na ULTRA e no MIUT, respectivamente, este ano não consegui fazer o “triplete” na Maratona. Tentei preparar-me o máximo possível para completar os 40 km de prova, mas mesmo assim não fui capaz. Estava com a “ficha” para as curtas e o treino não era o mais adequado para fazer este tipo de provas. Tentei gerir, mas dei tudo no início e paguei a conta no Poiso, onde sai de cena. Fiz o melhor possível, sempre com o foco na equipa e no melhor resultado pessoal.

Apercebi-me nesta altura do ano que tinha de gerir melhor o resto da época. Coloquei muita “carne no assador”, estava com um programa de treinos fortes e rápidos. Assumo que houve semanas que puxei mais do que devia. Queria aumentar os picos de explosão na hora de ser veloz. Não pensem que isso só se consegue com treinos de velocidade…

Assim acabou o primeiro semestre, a melhor parte da época.

A segunda parte do ano – Cansaço e algumas paragens

O segundo semestre começou com o USM – Ultra Skyrunning Madeira, onde estive como parceiro media da prova, cobrindo tudo o que era importante e apoiando também no livestream da meta da prova. Pelo segundo ano consecutivo vi e vivi os bastidores de uma prova de circuito mundial. Diga-se que não é fácil organizar um evento deste calibre. Toda a organização é complexa e com dimensões tão grandes como a do terreno que é percorrido pelos atletas. O bom trabalho da equipa do USM foi reconhecido, por essa mesma razão vão ser uma das Super Sky Race do Circuito Mundial de Skyrunning.

Junho foi um mês com muita acção! Uma semana depois tive a oportunidade de fazer mais uma prova fora de portas, em formato “festa do trail”, no Campeonato do Mundo realizado em Miranda do Corvo e inserido na edição de 2019 do Trilho dos Abutres. Foi a primeira vez que assistia ao vivo a um campeonato do Mundo de uma modalidade desportiva. Melhor ainda quando é de um desporto que gostas e praticas!

Já falei e escrevi sobre o ambiente de festa que se viveu em Miranda do Corvo (podes ler aqui). Foi bonito de ser ver. No dia seguinte ao campeonato do Mundo, lá fui pelos mesmo trilhos. Foi uma aventura gira, mas não me sentia a 100%. Depois de tanto tempo sem ter problemas de estômago nas provas, fui traído pelo mesmo, mas nada complicado. Fui finisher e isso é o que interessa!

Como o mês dos santos populares é mês de boa festa, estive dentro de mais uma organização, desta vez foi especial, já que era a prova organizada pela minha equipa: Cristo Rei Trail. É giro quando todos os colegas de equipa se juntam para organizar uma prova que é para outros companheiros de trilhos. Feita com muita dedicação, a nossa prova foi um sucesso.

O verão já estava na rua, mas o circuito regional de trail não pára! A Madeira é um sítio privilegiado para quem pratica esta modalidade. O bom tempo e a variedade de trilhos oferecem bons momentos de diversão nas nossas serras. O circuito também aproveita isto tudo. Por isso esqueçam as férias, Julho e Setembro têm mais provas.

Trail Ludens 2019

A partir deste mês as coisas começaram a complicar para o meu lado. Sentia-me cansado a nível muscular. O ritmo imposto nas curtas, com os treinos, estavam a fazer mossa. Eu não tenho um plano de treino feito por um profissional. Guiava-me com algumas linhas orientadoras aplicadas por treinadores de corrida e adaptadas ao trail. Mas mesmo assim, assumo que o acompanhamento profissional personalizado é a melhor opção para uma preparação física mais eficiente. No meu caso a escolha é feita numa questão de prioridades.

Continuando. Em Julho era importante estar bem, já que o Trail Porto da Cruz Natura decidia campeões regionais de equipa. O contributo de todos era importante. Desde o primeiro ao último, todos contam. Lá fui, mas não me sentia bem. Comecei calmo, mas mesmo assim não consegui completar os 25 km de prova. Foi o segundo e último DNF da época.

Em Agosto foi feita a merecida pausa, já que a prova do calendário tinha sido cancelada. Ainda bem que assim foi, embora que deviam ter mais atenção quando se faz o calendário e ver se as provas e organizações estão preparadas para organizar.

Setembro foi o mês louco da recta final de época! Nesse momento o meu foco estava no top 3 do escalão V35, onde estive durante algumas vezes durante a época. Sabia que ia ser muito difícil, mas nunca deitei a toalha ao chão e sonhei até ao fim. Em quatro semanas tive três provas: Trail Água de Pena – Curto 16km; Grande Trail Serra D’Arga – 37 Km e por fim Ultra Madeira – Curto – 17km. Era um calendário mais apertadinho para tanto objectivo.

“Água de Pena” foi uma prova para ir fazendo, não tinha muitas expectativas e as coisas continuavam iguais. Acabei a prova com uma contratura, que me deixou apreensivo. Na semana seguinte ia fazer a minha estreia no Grande Trail de Serra D’Arga, e pensava que não ia dar. Entre sessões de fisioterapia e descanso, tive o OK da fisioterapeuta para correr na molhada e tempestuosa serra minhota.

A.D. Galomar em peso no Grande Trail de Serra D’Arga

Serra D’Arga foi especial. Fui em equipa, pela primeira vez. Foi bom em vários sentidos: a prova o companheirismo e muitas gargalhadas. Em relação à prova/vendaval podes ler aqui.

Por fim, a curta do Ultra Madeira. A prova serviu para cumprir calendário e tentar fazer o melhor.

Madeira Outdoor Summit – Um sonho, uma oportunidade

2019 foi generoso em vários sentidos. O Madeira Outdoor Summit foi um dos momentos que mais gostei de estar fora dos trilhos, na presença de grandes campeões e pessoas que nos “ensinam” através da sua forma de pensar e estar no Mundo.

Painel Trekking – Trail Running – Madeira Outdoor Summit 2019

Outubro foi o início do ‘ano zero’ do evento que pretende promover e debater as actividades outdoor na ilha bem como dar a conhecer outras realidades e bons exemplos de eventos que acontecem pelo mundo fora.

Nesta cimeira, que contou com vários painéis de convidados de diversas áreas e actividades, teve um grupo sobre Trail Running para o qual fui convidado para assumir o papel de moderador. Senti-me honrado pelo convite do Patrício Fernandes, principal impulsionador do evento e da DRT – Direcção Regional de Turismo. Neste painel faziam parte dois campeões do circuito mundial de trail, último vencedor do UTMB e um dos melhores atletas do Trail Running nacional: Pau Capell, Gediminas Grinius e Armando Teixeira, acompanhados de Felix Weber, o explorador e atleta nómada e Rui Nelson, grande conhecedor dos nossos trilhos e representante da Federação Portuguesa de Campismo e Montanhismo.

Pau Capell No Madeira Outdoor Summit 2019

Foi uma experiência incrível pode estar, conversar e questionar atletas e pessoas que tanto admiro e que sigo desde que comecei neste desporto. As suas histórias de vida demonstra de que os atletas não são só feitos do seu desempenho desportivo, mas também do como se ultrapassa adversidades.

Um época puxada com bons resultados

17.º Geral Individual – Veteranos – Trail Curto | 7.º Lugar em Equipas – Masculinos

Para alguém como eu, que não está na linha da frente (nem nada que se pareça) e que estava habituado correr em provas longas e ultras é quase um “choque” passar um ano a correr em curtas. Num primeiro olhar as curtas parecem ser uma “brincadeira de crianças”. Pode parecer fácil, mas fazer um campeonato de provas curtas exige muito, ou mesmo mais, do que fazer algumas ultras. Não existe gestão. Tens de correr, correr e correr, com a respiração ofegante, mantendo um ritmo, seja nas subidas ou descidas. Para andar entre os 20/30 primeiros é preciso dar “gás” e isso precisa de ser treinado e preparado nos treinos. Confesso que pensei que ia ser mais fácil preparar, mas como já viram os resultados não foram tão lineares tal como eu pretendia. Ainda por cima eu queria mais. Queria fazer bons resultados. Sabia que não ia ganhar provas, mas queria andar entre os 30 primeiros.

Acabar o circuito em 17.º da Geral, entre 220 atletas, foi espetacular. Fiquei sensação de dever cumprido e que tinha atingido os objectivos gerais que tinha traçado para a época. Esta foi a primeira vez que completei o circuito regional de trail e isso deixa-me orgulhoso, depois da caminhada dos anos anteriores até chegar aqui.

O melhor do ano

Estes resultados todos foram importantes e deixaram-me feliz, mas este ano fica marcado como o melhor de sempre, não só por causa disto tudo que escrevi, mas também por causa do nascimento do ser que vou educar, ensinar, dar os melhores valores e mostrar-lhe as belezas que a nossa terra e o mundo tem para nos oferecer. ♥️

Obrigado, 2019!

Quero deixar um agradecimento a todos aqueles que me ajudaram neste ano desportivo. Ao Plano D, ao Pedro Miranda e à Nutricionista Nádia Brazão que para além de serem pessoas espetaculares são grandes amigos e profissionais.

Aos meus companheiros na A.D. Galomar – ainda bem que fui para uma clube com malta tão porreira e com uma “espírito de equipa” brutal!

Aos compinchas e amigos Luís, Miguel e Joana pelas longas horas de treino, brincadeiras e partilhas.

Por fim, à mulher, companheira e agora mãe do nosso rebento um muito obrigado pelo apoio, carinho e amor!

Autor

O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.

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