Corri, subi e cheguei!

Quarenta e oito horas depois de ter concluído o Madeira Uphill 2000 – Meia Maratona mais dura da Europa, eu ainda não consigo expressar-me e definir tudo o que senti durante e principalmente no fim da prova.

Depois destes meses de preparação, da criação deste blogue e o dia da corrida, muitas coisas se passaram! Muitos objectivos mensais, semanais e diários foram pensados em prol de uma meta: chegar ao fim.

EU CONSEGUI!

Nunca pensei em ganhar ou chegar nos primeiros lugares. Sabia muito bem quais eram as minhas capacidades e o objectivo era gerir o esforço durante toda a prova para conseguir chegar, bem, aos 1818m de altitude.

O dia começou cedo, às 6h20 já estava de pé! Comecei confirmando tudo o que tinha de arrumar e levar para a prova. Foi aqui que a ansiedade e aquela sensação estranha no estômago se começaram a sentir de uma forma mais acentuada, mas sempre controlada com o foco naquilo que tinha de fazer. A preparação do pequeno-almoço já estava em andamento, um ovo com três colheres de sopa de aveia fizeram a omelete da praxe, refeição recomendada pela dietista Nádia Brazão.

Entre o banho e o vestir do equipamento, fui prendado com uma série de post-it com mensagens cheias de amor e motivação, algo que vale tanto ou mais do que qualquer corrida. O dia começou da melhor maneira! 🙂

Aquecimentos, meia dúzia de conversas e ajuste de equipamentos marcaram o início da “escalada” pelas estradas até ao Pico do Areeiro.

Nos primeiros quilómetros senti-me muito bem, tanto na parte física como psicologicamente. Estava com muita força, ganha com a fase de carga planeada e feita nos três dias que antecederam a prova;  a nível muscular estava com força e sentia-me bastante solto. A subida até ao Monte foi forte e com um bom ritmo, sem grande excessos, e até ao Terreiro da Luta tudo correu conforme o planeado. Foi aqui que começou a parte mais dura, num “passeio” entre o verde do parque natural em sintonia com o calor matinal que tinha um toque de verão na serra.

Madeira Uphill 2000 | 2015

Durante o percurso conheci e acompanhei algumas pessoas, falei com desconhecidos que corriam com o mesmo objectivo, chegar ao fim. Era estranho olhar para o caminho e pensar nas vezes que o fiz dentro de um carro e que desta vez o sentia nos pés com um olhar panorâmico único. Todos os sentidos foram amplamente testados e utilizados.

A altitude ia aumentando e em cada quilómetro que passava tinha o apoio daqueles que me seguiam durante o percurso, senti-me um verdadeiro profissional que corria à conquista da medalha de ouro. É uma enorme sensação de satisfação ter pessoas que gostam de nós, ajudando para um objectivo que não era seu, mas que lutavam como se fosse. Único!

Runner Anónimo

A altitude aumentava, o cansaço já se sentia. A passagem pelo Poiso foi boa, rápida e com um bom tempo. Mas foi na fase final, nos últimos 3 Km, que surgiram alguma dores e cãibras que me afectaram.

Não desisti. Andei um pouco e durante 1 Km a corrida deu lugar a uma caminhada mais calma, tentando recuperar das dores nas pernas. Estava muito bem, só a parte muscular é que não ajudava!

Não parei! 

Continuei, com esforço corri durante o último quilómetro rumo à meta, tendo do lado esquerdo a imagem da baía do Funchal lá em baixo, como um pequeno ponto no meio das montanhas e nuvens.

Estava quase no fim!

Durante os treinos imaginava como iria ser a minha chegada à meta do Madeira Uphill. Foram “mil e uma” formas pensadas e nenhuma delas aconteceu.

Foi um fim natural, com um sorriso enorme no rosto e um sabor único de objectivo cumprido. Num único momento senti que tinha conseguido atingir um marco que irei me lembrar durante toda a vida.

Acabei dentro do tempo previsto: 2h59m19s

A moral da história é está: nada é impossível, desde que haja muito empenho, dedicação e força. Acreditando nos sonhos e pensando que tudo o que queremos é atingível, desde e quando se trabalhe com muito amor, carinho e confiança.

Foi nisto tudo que acreditei, logo desde o início.

Estou feliz e satisfeito!

Esta vitória não é só minha, por isso quero agradecer a várias pessoas que me ajudaram, ouviram, compreenderam e estiveram ao meu lado nesta “loucura”.

Obrigado à pessoa que mais me aturou, que mal me viu durante um mês, que me ajudou e ouviu durante todo este tempo. É a pessoa que amo e que me compreende como ninguém.

A minha tia que tanto me ouve e que esteve presente neste momento especial.

Ao Luís e Mislene, um casal espetacular que tanto me ajudou e apoiou antes e durante a prova. O vosso apoio foi único. Fiquei com o coração cheio!

Ao Plano D em geral, pelo o apoio e dedicação. Um muito obrigado à Nádia Brazão, Nádia Silva e ao Gonçalo Miranda pelo excelente trabalho na minha preparação. Senti-me como um verdadeiro profissional e isso foi único. Isto tudo sem esquecer o grande camarada Pedro Miranda, que disse logo que sim! MUITO OBRIGADO.

Um grande obrigado ao Gonçalo Bazenga pela ajuda no material que precisei para a corrida; ao Filipe Freitas e ao Rodrigo Rodrigues pela ajuda no logo do Runner Anónimo; ao Prof. Pellegrino Ciampi por toda a ajuda e aconselhamentos e a  Trio Publicidade pela impressão da camisola da corrida.

Aos meus amigos que enviaram mensagens, um grande abraço de agradecimento pelas vossas palavras!

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O meu nome é Javier Santos, a partir de hoje deixo de ser anónimo. Vou continuar a escrever sobre as minhas aventuras nas corridas, dicas e acima de tudo sobre estilos de vida saudável, mostrando tudo o que fiz mal e que agora alterei.

Escrito por Runner Anónimo
O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.