Correr nos trilhos não é fácil. Nunca pensei, nem nunca me venderam como se fosse, mas também nunca imaginei toda a sua complexidade, dificuldades e todas as coisas imprevisíveis que podem acontecer quando menos se espera! 

Nos últimos tempos tenho aprendido bastante, por vezes de maneira mais ‘ortodoxa’, como muitos de vocês sabem. Nesta aprendizagem, as dificuldades foram sempre as mesmas, encontrar um equilíbrio entre o esforço e a alimentação durante as provas.

Não é uma tarefa fácil, é preciso paciência, estudo e dedicação!

Tenho andado a fazer vários testes, tanto em provas como nos treinos. Sendo um “novato” nos trilhos, tenho aprendido técnicas através da leitura de experiências de grandes atletas, bem como de amadores que correm por prazer. Para além da técnica e dos tipos de treinos, todos falam da alimentação, seja ela antes, durante ou pós-prova. A maioria fala da suplementação, feita através de bebidas, barras, batidos e um número infindável de produtos desenvolvidos nos últimos anos, exclusivamente para o mercado das corridas. Eu por vezes “assusto-me” com alguns destes produtos e a forma como são tomados/utilizados por muitos amadores. Atenção, eu não sou contra! Eu também tomo suplementos, embora que só utilizo aqueles que preciso e são recomendados pela minha nutricionista.

Chegado a este ponto, dei atenção a desportistas e amadores que têm uma alimentação com base orgânica e produtos biológicos. Foi uma escolha feita em base as mudanças alimentares dos últimos dois anos. Tomei apontamentos, segui todas recomendações feitas pela Nádia Brazão e fui seguindo…

Uma das grandes dificuldades foi encontrar um equilíbrio. Uma hora eram as barras, outra hora os líquidos, os sólidos… estava muito difícil de gerir, já que uma vezes resultava e outras não. O piores momentos vieram nas provas, aplicando grande esforço misturado com as subidas com um grande desnível positivo e o medo de continuar com problemas que poderiam ser piores a longo/médio prazo.

Durante este ano fui testando, indo aos pormenores para tentar perceber o que devia adaptar e melhorar para evitar problemas e principalmente ultrapassar a barreira do desconforto e indisposição. Com isto tudo aprendi que as dicas, leituras e partilhas de experiências são importantes, mas devemos sempre tentar encontrar o nosso equilíbrio. Somos todos diferentes!

Ficam aqui as minhas sugestões sobre o que devem fazer para encontrar o vosso equilíbrio:

1 – Procurem um nutricionista, de preferência com experiência com desportistas. É importante ter um acompanhamento profissional. Por vezes fazemos coisas erradas e que podem prejudicar-nos a curto ou a longo prazo.

2 – Experimentem, testem e encontrem o melhor para vocês. Nem todos comemos e bebemos o mesmo. Uns têm intolerâncias, outros preferem certos e determinados alimentos. Testem em treinos e nas provas, só assim vão perceber o que é melhor.

3 – Hidratação! É um ponto fundamental. Água, isotónico, hipotónico, electrólitos… tudo ajuda. Mas não se esqueçam que os líquidos são super importantes nos treinos e nas provas!

4 – Pesquisem e conversem. Não tenham medo de falar e pesquisar. Toda a informação é importante, mesmo e quando algumas coisas não se adaptem ao nosso corpo. Mais vale saber todas as opções possíveis do que não ter um ideia do que pode correr bem ou mal.

5 – Façam como o ditado: “De grão a grão enche a galinha o papo.” Só assim vamos conseguir atingir os grandes objectivos

 

Escrito por Runner Anónimo
O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.