Quem disse que uma ULTRA é feita só com duas pernas e uma cabeça?

Eu já tinha a ideia que era quase impossível fazer uma prova tão longa sem o apoio moral e afectivo daqueles que nos acompanham. Depois do MIUT apercebi-me o quanto é importante este apoio, que nos dá mais pernas, cabeça, humor e muito amor para conseguir atingir o objectivo.

Amor, paciência, dedicação e compreensão.

Eu não contabilizei o tempo que dediquei para atingir esta meta. Sei que foram muitas horas de treinos, noites, sábados e domingos, por vezes na estrada, muitas nos trilhos. Para conseguir fazer isto tudo nas horas vagas, tive de abdicar de muitos momentos ao lado da pessoa que amo e que me apoia nestas aventuras.

Muita paciência ela teve! Como a maior parte dos casais, os nossos horários de trabalho coincidem. O fim do dia e fim-de-semanas são quase sempre “sagrados”, em prol de uma estabilidade emocional, sentimental e acima de tudo, sanidade mental!

Desde Dezembro que essa estabilidade teve de ser “negociada” e compreendida, principalmente por ela, que me apoiou e deu forças desde o primeiro dia. Foram inúmeras as vezes que ela fez o jantar e almoço. Semanas atrás semanas, em que a maior parte das tarefas de casa ficaram por ela. Isto tudo sem contar as vezes que não estivemos juntos!

Ela “aturou-me” nos dias em que estava mais cansado ou aborrecido; nos dias em que tinha de comer refeições específicas, alterando o nosso plano semanal que já estava programado, entre mil e outras razões relacionadas com a preparação para esta Ultra.

No dia do MIUT ela estava com a ansiedade ao máximo, tal e qual um atleta sente no dia da prova. Eu conseguia ver pelo seu olhar. E assim ficou até ao Pico Areeiro, onde ela relaxou e sentiu que a prova estava quase feita.

Ela sentiu tudo ao máximo. Desde o primeiro posto tinha tudo sobre controlo, super dedicada, com uma organização espetacular que me deixou bastante feliz e confiante. Tinha tudo preparado e esquematizado para quando eu chegasse aos postos não houvesse nenhum tipo de stress. E assim foi durante toda a prova. Calma, serena e super atenciosa com os pormenores. Deu-me segurança e tirou-me o peso e a responsabilidade de estar a pensar o que devia fazer, comer ou beber durante os postos em que era permitido apoio externo. <3 

Uma equipa de sonho!

Profissionais e, acima de tudo, amigos! A Nádia e o Pedro, o casal maravilha, foram de “outro mundo”! Desde o primeiro posto estiveram sempre lá! 

A Nádia estava a acompanhar vários atletas/pacientes (eu era um deles) nas duas provas principais do MIUT. A sua “missão” era tão nobre como a dos participantes, já que estava ali para apoiar e certificar que planos alimentares estavam a correr como previsto e, se necessário, “apagar alguns fogos” que pudessem surgir durante a prova. Como Plano D não é feito de uma só pessoa, a Nádia vinha acompanhada pelo grande Pedro, o “maridão”, que dava toda a ajuda possível aos malucos que decidiram entrar nesta empreitada. 

 Tenho uma grande estima e consideração por estes dois amigos. Foram uns verdadeiros super-heróis! Animados e preocupados, estavam com uma energia espetacular, que me contagiou durante a prova. Eles estavam prontos para tudo. Foram buscar água, batata doce, chá, e tudo o que fosse necessário durante os abastecimentos. Se não houvesse, eles improvisavam. Nunca me faltou nada! Para além deste mega apoio, a Nádia estava sempre atenta, questionando se estava tudo  bem; se o meu estômago estava a funcionar na perfeição; ou se estava a sentir-me com força e energia durante a prova. Enfim, parecem perguntas simples e normais, mas na verdade são muito importantes para perceber se o plano alimentar estava a correr como planeado. 

Correu lindamente!

Desde as famosas sandes de atum, carregadas com beterraba, cenoura, limão e sal grosso; Raw Bars biológicas (disponíveis no Plano D); às batatas doces com atum. Tudo o que comia entrava na perfeição. Nesta parte só houve uma pequena alteração, após 40 e poucos quilómetros com água de coco, eu já não conseguia beber mais. Mas lá estava a Nádia para ajustar. 🙂

Ainda hoje não tenho como agradecer tamanha ajuda e dedicação destes super-heróis do Plano D! Fizeram quilómetros, andaram de um lado para outro para acompanhar um bando de malucos, mesmo com duas crianças, uma delas com um aninho de idade. É obra!

Vocês são umas verdadeiras “máquinas”! 

Voluntário MIUT 2017 – Foto: Facebook MIUT

Os restantes heróis!

O que era o MIUT sem voluntários? Não me podia esquecer de todos aqueles que fazem com que esta prova seja única! Estavam lá para tudo e todos. Apoiavam e ajudavam, sempre com um sorriso e palavras de incentivo. Estavam lá pela experiência e pelo sentido de ajuda aos aventureiros que trilhavam os caminhos da nossa bela ilha.

Um muito obrigado a todos os anónimos e amigos que faziam parte desta grande equipa de voluntários. Sem vocês, esta prova não era a mesma coisa! 🙂

Este empenho, amor e dedicação vale mais do que qualquer prémio ou medalha! Obrigado a todos os amigos, companheiros e conhecidos pelo o apoio e palavras de incentivo.

 

Autor

O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.

4 Comentários

  1. A prova não dever ser fácil, a preparação muito menos. A ideia que eu tenho é que sem o apoio e compreensão das pessoas que nos rodeiam não é possível. São feitas muitas escolhas, sacrificam-se muitas “coisas” em prol de outras e acabamos por alterar rotinas que não são só as nossas. Mas a sensação de objectivo cumprido deve ser algo que supera e compensa todos os sacrifícios. 🙂

    P.S. Bem vi a tua cara-metade no Areeiro ansiosa pela tua chegada. ehehe

  2. No meio disto tudo a prova é o mais “fácil”! Há muito sacrifício daqueles que nos rodeiam, por isso mesmo a vitória não é de uma pessoa só. Eu sei o que me custou e imagino que custa ainda mais a aqueles que acompanham e vivem estas provas do lado de fora. 🙂

  3. Teodoto Silva

    Li atentamente, não há dúvidas sobre a tua experiência, é um misto de sensações que por vezes chega perto dos estremos mas ao somarmos tudo, os pontos negativos, neutros e os positivos o saldo é POSITIVO +, considero um desafio que exige muito de nós e também dos que nos rodeiam, cada um tem os seus métodos, embora haja pontos essenciais e que são iguais para todos, treino, alimentação e descanso, a partir destes tópicos há que trabalhar individualmente e não fazer porque outros o fazem e por serem mais experientes, não é sinonimo de boas práticas. Fiz o regional 2016/2017 das provas Ultra e a Travessia, para eu o conseguir, procurei e continuo procurando muita informação e é dessa maneira que faço experiências e seleciono aquelas que me faz sentir melhor, tanto nos treinos e principalmente nas provas. Não tenho dúvidas que ficamos muito mais fortes mentalmente, se me perguntarem o que é que eu ganho com tanto sacrifício, respondo logo e de peito aberto, Qualidade de Vida. É para continuar.

  4. É esse o espírito, Sr. Teodoto! Digo-lhe mais, você é um grande exemplo. Entra em todas as provas para se divertir e viver tudo o que a vida lhe oferece. Para além de lhe dar mais saúde e bem-estar. Continue a estar presente nos trilhos, o seu companheirismo é importante. É engraçado e quem diria, o pai de um grande amigo de escola é um companheiro dos trilhos. Muito obrigado pelas suas palavras. Grande abraço e um até já.

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