Serra D’Arga tem história. Rica em tradições e costumes, por aqui vi aldeias genuínas onde os espigueiros e as “alminhas” mostram-nos a força e o querer de gentes que vive de uma serra rica em água, fauna e belezas que definem a grandeza desta região.

A história desta prova é contada através de vivências vorazes com vicissitudes que em vez de nos deitarem ao chão, nos tornaram mais forte. O vento e a chuva não arredavam pé, anunciando uma prova dura e agreste. “Casamento molhado, casamento abençoado”, é um ditado antigo que define a abundância e esperança das relações consumadas em dias de chuva. Aqui não havia casamentos legais, mais uma coisa era certa, ao compromisso e união com a serra era coisa certa.

Fazendo um resumo desta prova, choveu desde o tiro de partida até ao fim. Bem, pelos menos até a minha chegada.

O início foi sereno, com uma subida progressiva e sem grandes complicações, feita em estradões simples, sem dificuldades técnicas devido ao terreno molhado. A coisa começa a complicar lá em cima, aos 700 metros, onde a chuva e o vento faziam estragos. Que vendaval… nunca pensei que a esta altitude houvesse um tempo tão “agressivo”. Enquanto corria pelas “piscinais naturais”, que abundavam nos planaltos, sentia as “pequenas pedras” na cara. Não sei se era granizo ou as gotas da chuva que batiam forte graças ao vento.

Sim, já devem estar fartos de ler sobre chuva e vento. Eu também gostaria de estar a falar sobre as belas vistas minhotas e da beleza da Serra D’Arga, mas o nevoeiro não permitiu tal experiência. Era um sinal de que um dia terei de regressar.

Entre descidas rochosas, e algumas zonas técnicas onde a lama se misturava com enormes pedregulhos encrostados na montanha, vi de tudo um pouco. Era malta a deitar sabão dos calções, escorrendo pelas pernas (AVISO: malta, lavem o material com menos sabão e amaciador 😛 ),; atletas que pareciam que iam voar com a intensidade do vento e, por fim, as pequenas aldeias que rodeiam esta bonita serra. Simples e genuínas, mostravam que o Minho tem belos locais para descansar e esquecer a loucura da cidade.

Estes 37km ajudaram-me a perceber que nem sempre estamos nas melhores condições físicas, mas quando temos vontade, isso não nos impede de nos divertirmos muito e usufruir de experiências únicas. Aqui vi amizade, senti-me focado e motivado.

O ambiente da prova era espetacular e todo o percurso pareceu-me muito bem. Infelizmente,não pude usufruir da paisagem. No entanto, fiquei um pouco apreensivo com a falta de pessoas da organização em zonas mais críticas da prova, onde uma pequena paragem nos podia causar problemas maiores, devido ao estado do tempo. Outro dos apontamentos é o material obrigatório. Numa prova com estas condições, deviam ter mudado o material opcional para material obrigatório, principalmente com a manta térmica e impermeável.

Em equipa é mais animado!

Nesta que foi a minha segunda prova “fora-de-portas” em 2019, esta foi a primeira que fiz fora da Madeira acompanhado pela minha equipa, a A.D. Galomar. A experiência de ir com um grupo de 20 pessoas, atletas, companheiros de trilhos e brincadeiras, foi excelente. São estas oportunidades que nos fazem aprender e crescer como atletas e pessoas. Aprendi com bons exemplos e as vivências de todos.

Fui um fim-de-semana rápido com muitas risadas, poucas horas de sono. Valeu por tudo!

Espero um dia voltar para conhecer a Serra D’Arga no seu esplendor!

p.s. – Tenho de dizer isto! Não é publicidade, mas o Salomon Bonatti é a melhor compra que já fiz até hoje em material de trail.

Autor

O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.

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