Mais um ano e mais uma edição do UTMB que chegou ao fim. Este ano, tal como nos últimos dois, fiquei colado ao computador a acompanhar os tempos dos amigos e conhecidos que foram à conquista de mais um desafio, desta vez nas redondezas do imponente e famoso ‘Mont Blanc’.

Mas este texto não será para falar dos vencedores das várias provas. Hoje, quero escrever sobre a Mimmi Kotka. Quem acompanhou o UTMB e quem a segue nas redes sociais, já sabe ou tem ideia do que se passou com ela este ano.

Resumindo um pouco a participação da Mimmi, ela esteve grande parte do tempo no top três feminino, fazendo uma prova bastante forte e consistente. Depois da passagem por La Giète, sai do top 3, dando sinais de que algo não estava a correr bem. Depois de um grande quebra, ela acaba a prova em 15º nos femininos.

Tanto ela como a Courtney Dauwalter eram as fortes candidatas, não só pela boa forma e pelo fantástico historial de desempenhos. Courtney vem de uma série de excelentes resultados e com um passado recente de boas classificações em ultras, algo que ajudava nas probabilidades de uma vitória. Do outro lado, a Mimmi vinha de uma vitória no “La 6000D La Course des Géants” e no “UTM-Ultra Trail do Marão” e finisher do MIUT, após uma prova que não lhe correu bem por diversas razões. Para além destes resultados, a Mimmi tem no seu palmarés as vitórias no TDS e CCC, faltando apenas o UTMB para fazer o desejado “triplete”.

Os resultados são importantes, mas não são tudo!

É no MIUT e UTMB que está o ponto de partida para aquilo que quero expressar!

Eu tive o privilégio de conhecer a Mimmi (graças ao José Guimarães e ao estágio da equipa oficial da Salomon na Madeira) em 2018, antes da sua vitória no MIUT. Durante esse tempo tive oportunidade de confraternizar e treinar com uma das atletas que mais admirava, pelas suas vitórias e pela forma de estar que passava nas reportagens e nas provas em que participava. E isso confirma-se.

Ela é uma pessoa simples, simpática e com um estilo de vida que está dentro daquilo que tenho como ideal. Além disso, ela demonstra ter uma força e garra brutal, sem manias ou vedetismo.

Esta forma de estar e de ser está reflectida na sua atitude como atleta, onde a humildade e o gosto pelo que faz, está em primeiro lugar. No MIUT deste ano ela não conseguiu estar na frente, onde por coincidência lutava pela vitória com a Courtney Dauwalter. Mas, mesmo com os problemas que se debateu, fez todo o esforço possível para ser finisher numa prova que ela gosta e numa ilha que a deixou rendida pelas suas belezas naturais e trilhos espetaculares. Essa atitude de respeito pela prova, pelas pessoas que a apoiam e seguem e principalmente por uma ilha que tanto gosta, decidiu acabar a prova mesmo sabendo que não estava a lutar pelos lugares cimeiros.

Esta demonstração de carinho e apreço por aqueles que a aplaudem e acompanha nas provas é de louvar. No UTMB vimos novamente uma grande atleta, que esteve no top durante muitos quilómetros e que nunca desistiu, mesmo quando quebrou e foi ultrapassada por diversas vezes. Tal como disse na publicação nas redes sociais, ela sabia que não conseguia dar mais, mas tentou aproveitar toda a prova e falar com aqueles que lá estão, dando o seu melhor dentro e fora da prova.

É por estas atitudes de atletas que o desporto é especial. É bonito de ver! Nem sempre os resultados aparecem, mas ao fim de tudo, alcançando ou não a vitória, somos simplesmente humanos que habitam neste planeta. Temos de aproveitar tudo o que nos rodeia e, em primeiro lugar, viver e desfrutar aquilo que mais gostamos de fazer. Só assim aparece o sucesso e os bons resultados!

Obrigado Mimmi, és um grande exemplo no Trail Running.

Foto: Salomon Running

Autor

O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.

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