Estas primeiras linhas podiam ser preenchidas com uma série de palavras e adjectivos, cheios de emoção e alegria por ter atingido mais um objectivo. Mas desta vez não foi assim…

A minha participação na prova de 40 Km do Ecotrail Funchal – Madeira acabou, de forma precoce, cerca de 1km depois do PA/PC do Terreiro Freixo (quilómetro 17) após uma série de vómitos que, infelizmente, me levaram à desistência.

Depois disto podia estar aqui a falar sobre os diversos factores que influenciaram a minha indisposição e tentar ver o que estava mal… não é fácil perceber nem detectar. Poderia ser o pequeno almoço, ou algo que comi no dia anterior ou uma indisposição natural neste tipo de provas. Por vezes o gel, ou outra coisa qualquer, não cai bem, entre mil e uma razões que não estão ligadas com as escolhas alimentares. Muitas coisas podem ter causado esta situação. Enfim, isto acontece com muita gente, inclusive com os melhores!

Por esta mesma razão não quero focar no problema, mas sim na questão de não ter sido “Finisher”. A sensação de não ter chegado ao fim pode causar vários “problemas”…

Digo-vos, foi duro chegar ao centro do Funchal de carro! Foi ‘lixado’ não ter conseguido chegar como tinha sonhado durante os treinos de preparação. Foram horas e horas de dedicação para uma prova que eu tinha depositado muitas expectativas, numa altura em que me sentia em plena forma, nunca antes sentida. Tudo indicava que esta ia ser a melhor prova de sempre. Não ia ganhar nada, mas queria superar algumas marcas pessoais. Tinha tudo planeado, tudo idealizado e tudo sobre controlo.

Pois, pensava eu…

Por vezes imaginamos que temos tudo controlado e que nada corre mal. É bom ter essa sensação e pensar que vai tudo vai correr como esperamos, mas ao mesmo tempo esta sensação de confiança pode ser uma espécie de nevoeiro que não nos deixa ver de uma forma mais clara e realista.

Será excesso de confiança ou demasiada pressão?

Penso que não é um nem outro. No próprio dia e depois de ter ficado melhor, esperei por vários amigos que iam chegar à meta. Estava contente por vê-los chegar e a atingirem o seu objectivo, mas também estava irritado comigo próprio por não ter chegado ao fim. Pensei várias vezes no momento em que decidi abandonar a prova. Não foi nada fácil.

Eu não estava num estado crítico, embora que já tinha parado por três vezes para vomitar. Assumo que a primeira decisão foi continuar. Pensei bastante, mas deixei-me influenciar pela ansiedade e “medo” de seguir em frente e ficar pior. Esse “medo” deixou-me no limbo entre o precaver-me de males maiores ou de acabar a prova e ser finisher dos 40km. Foi nesse exacto momento em que meti os dois pesos na balança e decidi desistir, pensando no futuro. Mais vale sair da prova sem nenhum tipo de complicações e recuperar rapidamente do que continuar e ficar à mercê de uma lotaria que poderia ser pouco abonatória. Eu sou daqueles que mete a saúde em primeiro lugar…

Quando se toma uma decisão destas a moral baixa rapidamente e a motivação esfumasse momentaneamente.

Os dias seguintes não são fáceis. Este tipo de decisões afectam psicologicamente e não ajudam nada na motivação. Ainda bem que não entrei nessa espiral! No dia seguinte pensei com cabeça fria e percebi que tomei a melhor decisão. O mais importante é encontrar a próxima prova e ultrapassar a desistência com naturalidade.

Moral da história: não fui finisher e não me arrependo! Nem sempre é possível chegar ao fim e desistir não nos torna fracos.

Nesta prova aprendi que nada é linear, mesmo e quando a motivação e a preparação física está no seu ponto máximo.

Por fim quero agradecer a mega ajuda e todo o apoio prestado pela Nutricionista Nádia BrazãoPlano D, que me ajudou na preparação do meu plano para a prova. Para além deste plano ela ajudou-me imenso a atenuar a minha má disposição. MUITO OBRIGADO!

Ao meu amigo Luís, parceiro de treinos e conversas, os meus parabéns pelo grande desempenho na prova!

Para acabar, um grande obrigado ao Marco Livramento, director do Ecotrail Funchal, por ter sido super prestável e atencioso, num momento onde todas as provas decorriam e o trabalho era enorme. Este agradecimento é extensível ao Ricardo Azevedo, Cátia Barbosa e Micaela Vieira, membros da equipa que se preocuparam comigo. Obrigado!

Escrito por Runner Anónimo
O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.