Agosto. Nos últimos três anos tem sido sempre assim: Sol, mar, calor, comida e UTMB.

Ligo a smart tv, abro a app do Youtube e deixo-me levar pela loucura e imagens da prova de trail mais espetacular e mais desejada do Mundo. Sim, o Ultra Trail do Mont Blanc.

Mais uma vez, segui religiosamente a prova. O cartaz era bom, a elite estava em peso e os candidatos eram muitos. A história final já se sabe. Muitas desistências na linha da frente, um eterno “não candidato” (que é sempre) foi vencedor pela terceira vez nos 170km de trilhos! Caraças, cada vez que vejo a prova fico com uma vontadinha de correr por aquelas bandas.

Eu sei que o UTMB é muito badalado, que “comemos” muito com o marketing que existe à volta da prova. Por estas mesmas razões todos os ultra têm uma vontade enorme de lá estar. A prova tem os seus prós e contras, tal como todas as provas, mas há algo nos Alpes que que me deixa com esta vontade. Não é só pelas montanhas majestosas e a grandeza do ‘Mont Blanc’, é pelo que se respira por lá. Os amantes da montanha têm os alpes como uma referência no que toca ao desporto de montanha. É isto que faz este lugar mágico! Todas as pessoas vivem, sonham e desejam o mesmo, no intuito de usufruir o melhor que a natureza tem para oferecer, num ambiente e cenário único.

Voltando ao UTMB… este ano fiquei vidrado com aquele início louco do Jim Walmsley, com uma passada que metia medo; o Kilian e o Zach “crazy” Miller (desculpem, mas o “crazy” acenta bem) seguiam o homem como se não houvesse dia de amanhã. Aquela malta é de outro planeta. É claro que as “vedetas” são o aperitivo, mas com o passar das horas deixei de seguir as estrelas e comecei a ver os  amigos e conhecidos  portugueses que se aventuravam nesta empreitada. Acompanhei os vídeos das passagens, as publicações no grupos de trail, as classificações e os ritmos nos vários troços. É aqui que se vê os verdadeiros heróis do UTMB. Gente com vontade de ser finisher, quer seja numa boa posição ou no último lugar. Esta malta tem o mesmo valor do que aqueles que vão na linha da frente,

No meio de tanto rebouliço, tenho de destacar a prestação de todos os atletas nacionais. Começando pelo conterânneo, Francisco Freitas, que foi o melhor português, numa prestação brilhante. O Franciso é um excelente atleta, com um foco impressionante. Lá estava ele, sem patrocínios e a fazer uma prova enorme, ao nível do ano passado, embora que este ano foi nada mais nada menos do que o melhor português! Segui a chegada em directo, até arrepiou ver!

Também gostei de ver o excelente resultado do Hugo Gonçalves, do Frederico Cerdeira, atleta vegan que foi meu convidado neste live, do Tiago Ribeiro entre todos os atletas que participaram e chegaram ao fim da mítica prova.

Depois do último fim-de-semana, fiquei cheio de vontade de lá estar e sentir a grandeza desta prova. Quem sabe, um dia lá estarei a cruzar aquela meta!

Foto: UTMB – ©Franck Oddoux



Autor

O Runner Anónimo é um blog sobre corridas e histórias pessoais de um desportista amador que vive na ilha da Madeira.

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